Tadaima no Japão

Nomikai, reuniões para comer, beber e se divertir

Nomikai, reuniões para comer, beber e se divertir Tadaima
Conheça um pouco sobre o happy hour japonês conhecido como nomikai, literalmente encontro para beber. Saiba porque a hierarquia é deixada de lado nas festas

Nomikai, reuniões para comer, beber e se divertir Tadaima

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Que a sociedade japonesa é rígida e cheia de regras nós já sabemos, mas nem mesmo os japoneses aguentam ficar trabalhando e estudando todo o tempo, não é mesmo? Quando chega o fim do expediente, boa parte deles vai até os izakaya e se reúne em festas conhecidas como nomikai – literalmente encontro para beber.

Nomikai na Universidade

Quando escrevi sobre o clube de jazz e falei sobre o natal japonês, mencionei brevemente sobre o nomikai. Mas antes de começar a escrever esse artigo, fui dar uma lida sobre o assunto e acabei descobrindo que, em teoria, os estudantes realizam reuniões um pouco diferentes dos empregados de empresas. Ao invés de nomikai, os estudantes realizariam konpa, reuniões com objetivos e regras um pouco diferentes.

Como nunca fui convidada a um konpa, vou falar sobre a minha experiência em nomikai realizados por estudantes universitários – que no fundo deve ser a mesma coisa, só com um nome e nuances diferentes.

Comer, Beber e se Divertir!

Sem dúvida a happy hour japonesa é uma ótima maneira para se aproximar das pessoas. Seja para comemorar alguma coisa ou não, sair do ambiente costumeiro, sentar-se numa mesma mesa e dividir o espaço com pessoas enquanto come faz com que todos fiquem mais à vontade.

Vale lembrar que ninguém é obrigado a beber bebidas alcoólicas, muito pelo contrário, cada um escolhe o que quer beber e o quanto quer beber. A única situação que acontece é quando o seu copo está quase vazio, por uma questão de educação, sempre tem alguém quer pergunta se você quer beber mais – como eu mencionei no artigo sobre as gafes no Japão.

Nomikai, reuniões para comer, beber e se divertir Tadaima

Na minha opinião a maneira como a comida é servida é muito mais interessante. Nós brasileiros estamos acostumados com porções enormes nos restaurantes, mas no Japão os pratos são bem menores. Um desavisado pode se assustar ao ver um japonês pedindo seis ou sete pratos diferentes de comida, mas é um costume bem normal. Independente do tamanho do grupo, todos os pratos são oferecidos a todos os integrantes da mesa, sem exceção. É como se você tivesse dez tipos de sopas, todas em pratos para alimentar uma pessoa e só pudesse pegar uma colherada de cada para experimentar. É mais ou menos assim que funciona.

No mais, eu não acho que as relações de hierarquia sejam tão marcadas assim durante o nomikai, muito pelo contrário, talvez seja uma das únicas situações em que os japoneses se tratem como iguais. Quem sabe numa reunião em que empregados e chefes estejam presentes a situação não seja tão livre assim e a hierarquia continue presente – afinal a relação durante o nomikai está diretamente ligada a relação no trabalho.

Como a cultura do nomikai é muito forte, no Japão não é feio ou errado ficar bêbado. Os japoneses gostam de beber e bebem mesmo, sem dúvida. Talvez aceitar os bêbados seja uma das únicas atitudes não hipócritas dos japoneses, dentre tantas outras que observamos, principalmente quando o assunto é casamento… Mas esse fica para um outro dia.

Atualizado 20 de fevereiro

Esqueci de mencionar algo um pouco obvio, mas indispensável: em todos os nomikais a primeira coisa que deve ser feita é pedir as bebidas e fazer um brinde. E nunca coloque seu copo na mesa sem antes tomar pelo menos um gole. É falta de educação.

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Sobre o(a) autor(a)

Mylle Silva

Sou escritora, roteirista e artesã. Apaixonada pela cultura japonesa, vivo com ela uma relação de amor e ódio desde 1996. Tento sobreviver entre palavras (www.oficinadeescrita.com.br) e encomendas (www.nhom.com.br)

7 comentários

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  • até onde sei os nomikai são realmente para aproximar mais, mas ainda existe o respeito á hierarquia e também existe um monte de regras de como e onde se sentar, como servir os outros e também quanto à bebida que serve para “tirar a mascara” e ajudar a aproximar mais as pessoas.

  • Pois é, mas foi bem isso que eu quis dizer. Os nomikais nos quais eu fui, realizados por estudantes universitários, não pareciam tão rígidos. Todos se servem e apenas uma vez teve uma regra para se sentar – por “ordem alfabética” (ordem da sílaba inicial do nome, pensando na ordem dos hiraganas). Certa vez houve um rapaz que falou, de brincadeira “ah, me trate com respeito, sou seu veterano, me chame de senpai”.

    Já disse minha opinião sobre o grupo que frequento, acho eles um pouco mais flexíveis que outros japoneses, talvez por gostarem muito de jazz e tocarem música tenham desenvolvido um pouquinho o dom de improvisar, quem sabe…

  • Yoo Mylle-san! Então… Eu estou no primeiro ano e sou a.pai.xo.na.da por línguas extrangeiras, principalmente o japonês, que é a língua que eu mais amo. Eu penso em fazer faculdade no Japão, mas eu não sei absolutamente NADA disso D: e eu ainda moro no interior e tal, daí complica… Mas eu estou realmente correndo atrás, de cursinhos de japonês e de informação, além de que eu sempre dou um pulinho aqui no site pra ver as novidades do Japão (e tentar ganhar um mangá, que eu ainda não consegui D: mas vou conseguir u.u haha)… Bom, focando de novo no assunto, será que você poderia me ajudar? Me dar dicas do que eu devo fazer, de como funciona as faculdades aí, essas coisas? Bom, se você concordar, manda um e-mail pra mim ou me adc no msn, que é o mesmo do e-mail, mas sem o “_” e com o “@hotmail.com” >< Arigatou!

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