Literatura Japonesa

Resenha: A Casa das Belas Adormecidas – Yasunari Kawabata

Capa do Livro
Capa do Livro

Yasunari Kawabata é um dos escritores japoneses contemporâneos de maior sucesso no mundo. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1968 e quatro anos depois cometeu suicídio. A solidão, a angústia da morte e a atração pela psicologia feminina foram seus temas constantes. E uma das obras em que ele mais explora o erotismo feminino é A Casa das Belas Adormecidas.

Eguchi é um senhor de 67 anos que visita um hotel no qual moças são dopadas e pagas para passar a noite com velhos que “deixaram de ser homens”, nas palavras do prórpio personagem. Todas as meninas eram virgens, e a condição da casa é que nenhuma delas poderia ser corrompida pelos visitantes. Elas dormiam nuas e profundamente no quarto enquanto os senhores gozavam do prazer de estar ao lado delas.

Ao todo Eguchi tem contato com seis “belas adormecidas”, cada qual deixando uma marca diferente no velho. Ao longo do romance o personagem passeia por suas lembranças, além de encontrar-se com a alma feminina, com todas as mulheres de sua vida.

Ao ler A Casa das Belas Adormecidas, o leitor terá a impressão de estar diante de uma pintura da qual extrairará alguma interpretação, mas nunca uma resposta exata. A conclusão, ao contrário do que estavamos acostumados na cultura ocidental, é muito mais subjetiva do que certeira, digamos assim.

Acredito que exista uma beleza latente e incômoda nos textos do Kawabata, como se estivéssemos diante de um irrealizável constante. Como se fadados ao nada. E é exatamente por isso que vale muito a pena ler.

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Sobre o(a) autor(a)

Mylle Silva

Sou escritora, roteirista e artesã. Apaixonada pela cultura japonesa, vivo com ela uma relação de amor e ódio desde 1996. Tento sobreviver entre palavras (www.oficinadeescrita.com.br) e encomendas (www.nhom.com.br)

4 comentários

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  • Este é o romance que inspirou Gabriel Garcia Marquez a escrever Memórias de Minhas Putas Tristes. Do Marquez é um remake, como diria no cinema, uma versão em espanhol. Sem, é claro, o cenário japonês.

  • こんいちわ!

    Bom, muitos críticos apontam sobre Márquez ter muita inspiração para suas obras nos escritos de Kawabata. Mas na minha, humilde, opinião cada um é um gênio a sua maneira. Acho difícil inclusive comparar “A casa” com “Memórias” intitulando o segundo como uma versão espanhola do primeiro! Não!
    Cada um tem suas particularidades e as marcas de duas culturas opostas: ocidentais e orientais.
    Kawabata é único, mas confesso que me decepcionei um tanto com “A Casa”, fiz a leitura após ter o deleite de ler “Beleza e Tristeza”. Foi comentada a questão da conclusão subjetiva e isso foi o que mais me incomodou na obra, brilhante diria… mas sem nexo, eu considerei. Uma vez que durante toda a narrativa, ele se atem em descrever os mesmos tipos de sentimentos e ações de Eguchi e qdo se espera um final mais ‘surpreendente’, ele acaba morno e subjetivo. Por isso preferi “Beleza e Tristeza” que dá ao leitor no final aquele gostinho de “quero mais!” e tbm de subjetividade.
    Parabéns pela resenha e pelo blog! クリチバ に すんでいます。私 わ 日本語の学生 です!

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